O salário de Felipão e o desânimo de Abel

O que tem de gente preocupada com o salário do Felipão é impressionante.

Todos sabem que é uma remuneração elevada, como é a de todos os técnicos de ponta.

Se quiserem mesmo saber quanto ganha o Felipão é fácil. Descubram quanto ganha o Abel Braga.

No Fluminense, dizem, ele ganhava em torno de 1 milhão de reais. Há boatos de que seria até mais.

Simples. Felipão deve ganhar mais ou menos o que recebe Abel Braga.

Fora isso, o que tem de gente criticando que Felipão não vai a Salvador para o jogo contra o Vitória.

Outros cobraram que ele deveria estar em Porto Alegre treinando o time, assumindo logo o cargo de treinador.

Sobrou para o Jardine, o interino louco pra mostrar serviço.

Quer dizer, tem muita gente preocupada em encontrar alguma coisa para criticar Felipão, Koff, o Grêmio. Mais um pouco sobra para a família de quero-quero do Olímpico.

Escondam os bichinhos para que não virem ‘galinhada’.

A contratação de Felipão segue incomodando uns e outros.

Já eu estou mais preocupado com o Abel.

O que se cobrava de Enderson, e eu cobrava, vale para ABel. A diferença é que um tem currículo, o outro está começando.

O fato é que estamos ingressando em agosto, oitavo mês do ano, e o Inter hoje é um arremedo de time. Tão ou mais desorganizado que o Grêmio de Enderson.

Mas quase não se ouve ou se lê críticas a Abel.

Contudo, minha preocupação com Abel é o seu estado de ânimo. Ele está abatido, parece cansado.

Cansado de ganhar dinheiro, de treinar, dos problemas que existem no vestiário colorado e que não são devidamente explorados pela imprensa.

Não assisti ao jogo do Inter contra o Ceará, aliás, um vexame. Perder para o Ceará no mata-mata, dentro de casa, é vergonhoso.

Mas ouvi gente dizendo que até é bom porque daí dá para se dedicar à conquista da sul-americana.

O microfone e o papel aceitam tudo.

Vai conquistar o quê com esse time e com esse treinador desanimado?

Mas falava sobre o Abel pós-jogo contra o Ceará. Vi na TV. Era um abatimento só. Tenho certeza de que não era apenas em função do resultado desastroso, que muitos hoje tentaram amenizar.

Mas um abatimento sem indignação, era um Abel conformado, que admitiu que ficaria satisfeito se o jogo terminasse logo que o Inter empatou de tanto que temia levar outro gol. E o outro gol aconteceu.

Abel nunca foi disso. Sempre foi de erguer a voz e debater, questionar, protestar.

Certa vez até atacou um comentarista esportivo num bate-boca no ar. Coisa feia, baixou o nível.

Abel parece sem forças e sem vontade.

Pelo menos é isso que me passa.

É meio caminho andado para pedir as contas ou ser demitido.

Na hipótese de que Abel Braga venha a sair, vou cerrar fileira com aqueles que defendiam a contratação de Celso Roth ou Lisca para o lugar de Enderson no Grêmio, conforme lembra o cornetadorw.blogspot.com.

Estou junto: Roth ou Lisca no Inter.

Pimenta nos olhos dos outros…

Alívio…

Alívio…

Ilgo Wink + Felip~Felipão desembarca nesta quarta-feira já como treinador do Grêmio.

Com Felipão, renovam-se as esperanças da torcida gremista. Alguns poucos gremistas ainda resistem, ou por interesse político contrariado ou por algum ressentimento que só Freud talvez possa explicar.

Colorados de todos os segmentos tentam colar em Felipão o rótulo de superado e decadente.

Curioso que nenhum deles se manifestou assim antes da goleada diante da Alemanha. Até ali Felipão era o técnico ideal para levar o Brasil ao hexa.

Com Felipão ficam soterrados nomes como Roth, sempre lembrado pelos mesmos.

Demorou, mas o presidente Koff entrou em campo. Uma grande tacada técnica e política.

Vamos ver agora a resposta de Felipão.

De minha parte, o sentimento é de alívio, porque temia pelo que pudesse aparecer caso Felipão não aceitasse o convite para voltar ao clube do seu coração.

Sem Tite ou Felipão, quem sabe Adilson com Espinosa?

Tite teria respondido que não aceitar treinar o Grêmio. Se é verdade, ele está fora.

Resta Felipão. Não há registro de negativa de Felipão, portanto ele continua na lista.

Está na ponta de cima, mas ao contrário de Tite não é unanimidade.

E Felipão sabe disso, a não ser que tenha se abrigado em algum mosteiro para repensar sua vida.

Deve ser duro para o sujeito que até pouco tempo estava por cima perceber um índice significativo de rejeição por parte da torcida a qual deu tanta alegria duas décadas atrás.

Felipão, pelo jeito, se mantém em silêncio. Deve estar mordido por ser o segundo na parada de sucesso entre os gremistas.

Ele gostaria, claro, de ser aclamado, como seria em outros tempos.

Hoje, se Felipão responder sim, a maior parte da torcida vai festejar, mas já sem o mesmo entusiasmo. Outros vão insistir que ele está acabado ou, remoendo mágoas e rancores, criticar o tempo que ficou distante do clube que diz amar.

Eu receberia Felipão de braços abertos, feliz, empolgado até.

Mas não nego que prefiro Tite.

Felipão é a segunda opção. E isso deve estar mexendo com ele.

Saindo Tite, Felipão assume a liderança e talvez até se aproxime da unanimidade depois que a torcida se der conta dos nomes que restam.

Quando e se isso ocorrer, é capaz de Felipão aceitar.

Agora, a tarefa da direção é das mais espinhosas.

Só espero que o critério para contratação seja técnico, não político, sem preocupação eleitoral.

ESTRANGEIRO

Sou contra técnico estrangeiro neste momento. Para um começo de temporada, sim. Em meio a uma competição que reserva quatro vagas para o rebaixamento, nunca.

O argentino que treina o Palmeiras já perdeu três seguidas. Bateu o desespero lá.

O argentino está tentando montar uma equipe, trocando pneu com o carro andando.

O estrangeiro que viesse para o Grêmio agora faria o mesmo. Não tem como dar certo.

Bem, sempre tem o Renato Portaluppi de plantão para salvar de novo. Seria pela terceira vez.

CAPITÃO AMÉRICA

Entre os nomes que restam, penso que o Adilson Batista seria uma alternativa interessante.

Com ele, Valdir Espinosa como coordenador de futebol.

Adilson e Espinosa: dois vencedores identificados com o Grêmio.

Só dois nomes resolvem: Tite ou Felipão

Até que durou demais o técnico Enderson Moreira, que sequer deveria ter vindo.

Não é treinador para o tamanho do Grêmio, escrevi quando soube que ele havia sido contratado pela dupla Chitolina/Rui para comandar o Grêmio na Libertadores. Na Libertadores!!!!!

O técnico demitido do Inter B estava sendo alçado à primeira linha do futebol brasileiro.

Com o mês de agosto batendo a porta, o Grêmio ainda não tem nem um sistema de jogo nem um time definido.

O técnico Enderson Moreira tem responsabilidade, mas antes dele estão aqueles que o contrataram e o mantiveram por tanto tempo. Dois erros: a contratação e depois dos 4 a 1 no Gre-Nal a permanência.

O discurso de que é normal perder prevaleceu.

Perder nunca é normal para um clube grande como o Grêmio. Algumas pessoas não sabem disso, ou esqueceram disso.

O preço é esse: mais um ano sem título. Sequer um Gauchão para chamar de seu.

A derrota por 3 a 2 para o Coritiba veio em boa hora. Ainda há tempo de reverter a tendência de queda, represada por resultados bons em atuações medíocres.

Fosse mais adiante, seria tarde. Ou alguém acredita, realmente, que o sr. Enderson teria condições de conduzir o time a algum título nacional?

O grupo atual do Grêmio não é nada de espetacular, mas pode render mais. Mesmo sem uma sombra para Barcos, que marcou dois belos gols calando as vaias.

A direção gremista que o multicampeão Fábio Koff com líder tem a obrigação de fazer a coisa certa depois de tantos erros, que começaram com a renovação de Luxemburgo.

Só há dois nomes: Tite ou Felipão. Ambos excelentes.

Eu prefiro Tite, mas acredito que Felipão será o contratado.

Não acredito que ele diga não a um apelo de Koff, seu maior padrinho no futebol.

Os ‘argumentos’ do técnico Enderson

Depois de ouvir a looonga entrevista coletiva do sr. Enderson Moreira, no final da tarde desta sexta-feira, cheguei à conclusão de que o grande legado do treinador em sua passagem pelo Grêmio será levar para o campo de jogo o verbo ‘argumentar’.

O sr. Enderson transformou o jogo de futebol num diálogo, num colóquio.

Ele usou o verbo pelo menos três vezes – perdi alguns trechos da entrevista.

Segundo ele, o Grêmio está ‘argumentando’ bem nos jogos e por isso faz boa campanha.

Ele disse que viu os últimos jogos do Coritiba e constatou que o time de Celso Roth está ‘argumentando’ bem nos jogos.

Usou o verbo ‘argumentar’ também em ações individuais, referindo que o jogador tal ‘argumentou’ bem no treino ou no jogo.

Sobre os  7 a 0 no treino, o técnico tratou de reduzir a importância do placar a pó, o que não chega a ser surpresa partindo de quem conseguiu diminuir a relevância dos 4 a 1 no Gre-Nal.

Segundo o técnico, um sujeito simpático, trabalhador, o time principal teve dificuldades porque ficou preso a determinado posicionamento enquanto o time reserva jogou com mais liberdade, sem igual responsabilidade tática.

Foi mais ou menos isso que o treinador do Grêmio afirmou.

Não sei se é de rir ou de chorar.

Acreditando que foi isso mesmo que ocorreu, minha sugestão é que o sr Enderson deixe o time – pode ser o titular mesmo – sem amarras táticas para enfrentar o Coritiba neste domingo.

Quem sabe não assistiremos a um Grêmio que todos nós queremos – inclusive o treinador -, eficiente na marcação e ágil e competente para atacar e fazer gols?

Um time livre, leve e solto, ‘argumentando’ com naturalidade.