Grêmio imita o Inter

Grêmio imita o Inter

O Grêmio imita o Inter, que foi eliminado da Copa do Brasil em casa. A diferença é a qualidade dos adversários. O Santos é muito superior ao Ceará.

Sei que muita gente vai continuar acreditando, porque torcedor acredita sempre, até o último segundo.

Mas é missão quase impossível jogar na Vila Belmiro, onde o Grêmio normalmente se dá mal, e obter a classificação.

Decididamente, os deuses do futebol abandonaram o Grêmio.

O Santos era completamente dominado, o Grêmio criava situações de gol, sufocava o adversário, mas não conseguia fazer o gol.

Quem não faz leva, regra inabalável do futebol, voltou a prevalecer.

Numa cobrança de escanteio, o Santos fez 1 a 0 , com Davi Braz dando um ‘peixinho’ na marca do pênalti, sozinho, isolado. Atrás dele aquele que deveria acompanhar o zagueiro: o Werley, que assistiu de perto o gol.

Depois, num contra-ataque puxado por Lucas Lima, que dominou a bola com o braço ao dar a arrancada de seu campo, Robinho fez 2 a 0, com a bola desviando em… Werley.

Os deuses do futebol abandonaram o Grêmio.

Contra o Cruzeiro, no Mineirão, foi parecido. Grêmio jogando como nunca e perdendo como sempre.

De positivo, fica o fato de que o time está evoluindo. Está jogando melhor.

Falta acertar a pontaria e falhar menos atrás.

Falta cobrar um escanteio que resulte em gol, o que não acontece faz meses; idem em relação às cobranças de falta.

Será que ninguém treina esses fundamentos?

Resta fazer como o Inter, dedicar-se ao Brasileirão.

Por onde anda o técnico Lisca?

O Inter está obcecado em conquistar o Campeonato Brasileiro. Afinal, são 35 anos de jejum.

Só essa ideia fixa pelo tetra nacional pode explicar o silêncio da direção colorada diante da postura do técnico Abel Braga, que já deixou muito claro que tanto a Copa do Brasil como a Sul-Americana são estorvos, só atrapalham a corrida pelo título do brasileirão.

Ele chegou a comentar que só foi campeão brasileiro com o Fluminense porque, como faz agora, deixou em segundo plano outras competições.

O foco foi sempre o Brasileirão, e ele chegou lá.

Agora, repete a estratégia no Inter, imagino que com a benção da diretoria. Se for um ato de rebeldia, Abel está pela bola 7.

São dois vexames seguidos. Duas derrotas em casa para equipes inexpressivas. O Bahia, que bateu o Inter por 2 a 0 em pleno Beira-Rio, também estava com muitos reservas.

Devo concluir que o grupo dos baianos é melhor que o do Inter? Claro que não, mas é o que o resultado aponta.

Os resultados diante do Bahia e do Ceará apontam ainda como o Grêmio foi incompetente nos clássicos. Todos ganham do Inter, menos o Grêmio.

Mesmo que Abel e a diretoria estejam alinhados nessa ideia fixa de conquistar o Brasileirão e relegar competições paralelas, a torcida não concorda.

Nem foi consultada. E é ela quem mantém o clube e os salários milionários pagos a jogadores que a todo momento são poupados de um ou de outro jogo.

A torcida colorada já está pedindo a cabeça de Abel.

Uma derrota para o Palmeiras neste final de semana, aí pelo Brasileirão, pode mergulhar o clube em crise profunda.

Então, me antecipando, lanço o nome de Lisca, técnico competente e que merece uma oportunidade num clube grande para mostrar seu valor.

Foi isso que li e ouvi à exaustão quando o Grêmio tentava Tite e Felipão.

Parte expressiva da crônica esportiva insistia em sugerir Lisca e também Celso  ‘toc-toc-toc’ Roth.

Roth está desempregado e Lisca não sei.

Por onde anda o técnico Lisca?

Se eu fosse presidente do Grêmio…

O gremista Homero Bellini Jr. apresentou-se oficialmente como candidato à presidência do Grêmio.

A Situação deve responder com o multicampeão Fábio Koff. Não faltam especulações e boatos sobre essa candidatura.

O mais recente é que Koff seria vice de futebol do Romildo Bolzan Jr.

Não sei de onde surgem esses boatos. Não consigo imaginar Koff no vestiário de novo, viajando pra lá e pra cá. Então, é mais uma bobagem.

Admito que para efeitos meramente eleitorais, Koff como vice daria um peso considerável à chapa. Mas duvido que ele fosse manchar sua trajetória entrando como vice e largando o barco logo nos primeiros dias ou semanas da nova gestão.

Penso que um homem da envergadura de Koff jamais se sujeitaria a isso. Sairia com dignidade, de cabeça erguida, como o dirigente mais vitorioso do futebol gaúcho em todos os tempos.

Não faria como certos jogadores de futebol que não sabem a hora de sair de campo, ou de cena. Caso do R. Gaúcho, que estaria se sujeitando a receber por produtividade num clube em crise.

Aí, delirando em meus pensamentos mais delirantes, me imaginei candidato. Em primeiro lugar, isso seria impossível até por questões estatutárias.

Mas seguindo em meu delírio ou devaneio, estou aqui agora teclando e pensando no que eu faria, qual seria a minha plataforma, meu projeto.

De cara, afirmo que não apresentaria  programa de governo num volume com capa dura e letras douradas ou prateadas com um título como ‘Por um Grêmio imbatível’.

Não, nada de promessas vazias, palavreado difícil, nada de firulas e tampouco de juridiquês.

Todos nós sabemos que depois de eleito ninguém abre o tal programa de governo. Vale para o futebol, vale para a política partidária.

O que todos querem é chegar ao poder.

Não, eu decididamente iria direto ao que interessa, a gestão do futebol.

Meu programa de gestão poderia ser rabiscado num guardanapo do Box 21, por exemplo.

Começaria por estabelecer um mantra a ser repetido todas as manhãs pelos meus companheiros de diretoria:

- Não gastar mais do que arrecadar.

Zelaria pelo dinheiro do clube como faço com o meu dinheiro. Nada de esbanjar, comer frango e arrotar avestruz.

Buscaria cercar-me de pessoas competentes, competentes e sabidamente honestas. Acreditem, há muitas. Todas elas gremistas, que fique bem claro. Colorados que se dirijam ao Beira-Rio para trabalhar. Nada contra os colorados, mas prefiro cercar-me de gremistas.

Definido o mantra contra o esbanjamento tão comum no futebol e a diretoria, atacaria nas categorias de base.

Seria a minha menina dos olhos.

Ex-jogadores campeões com a camisa do Grêmio teriam prioridade para trabalhar nessa área. Gente vencedora para moldar vencedores.

Gente que dedicou-se ao Grêmio, ajudou a conquistar o mundial de 1983 e que passa por dificuldades, já estaria trabalhando na base do Grêmio há horas.

Se eu tivesse que buscar jovens de 18 ou 19 anos formados por outros clubes para compor o grupo profissional seria necessário um olhar mais crítico sobre o trabalho na base.

O que estaria acontecendo de errado? Mudanças teriam de ser feitas.

Outra coisa: limitaria drasticamente a atuação de empresários e procuradores no clube, tanto na base como nos profissionais.

Não teria essa de jogador entrar no time só porque tem empresário/procurador forte como parece acontecer em muitos clubes.

Então, antes de sair em busca de reforços externos, avaliaria com cuidado os guris da base.

Para os profissionais, só contratações que viriam para realmente preencher lacunas que a base não resolveu.

Jamais, mas jamais mesmo contratar jogadores mais passadinhos em idade por cinco anos.

Antes de contratar, uma varredura rigorosa na trajetória do atleta, seu comportamento fora de campo, etc.

Outra coisa, buscar jogadores com espírito vencedor. Gente que também tenha tanto orgulho de vestir a camisa do Grêmio como o gremista mais fanático.

Nada de jogador que só tem derrotas em sua carreira ou que não se entusiasme a jogar no Grêmio.

Outra coisa: trabalharia para que o trabalho na base, sendo positivo, fosse mantido pela direção seguinte, algo que não acontece hoje e que claramente prejudica o clube, porque cada um que entra traz junto seus parceiros, que nem sempre são competentes e/ou honestos.

E o treinador? Seria alguém competente e honesto, avesso à picaretagens e conluio com empresários.  Dois que eu gosto: Felipão e Tite.

São alguns dos pensamentos que me ocorrem de vez em quando sempre que alguém sugere que eu entre na política do Grêmio.

Enfim, são frases soltas que colocaria num guardanapo e apresentaria como meu programa de governo.

Quem sabe um dia apareça alguém que leve essas ideias adiante e repita o mantra:

- Não gastar mais do que arrecadar.

Bobagem, outro delírio.

Premiação no Boteco

Premiação no Boteco

O botequeiro Alexandre Sanz, que trabalha em Pelotas, veio até o Boteco do Ilgo
receber seu prêmio por ter acertado um desafio que lancei num post anterior.

Sanz optou pela 1983 em vez da Mazembier.

Trocamos umas ideias sobre futebol e o Grêmio em especial.

Eu saí ganhando nessa troca porque as ideias dele são melhores do que as minhas…

Grêmio começa a incorporar espírito dos anos 90

O espírito do Grêmio vencedor dos anos 90 manifestou-se no segundo tempo do jogo contra o Corinthians. Se até quem estava diante da TV sentiu aquela energia vitoriosa, imaginem aqueles que foram à Arena, que em alguns momentos incorporou a energia do Olímpico de quase duas décadas atrás?

Em campo, o que se viu foi acima de tudo um grupo de jogadores honrando a camisa tricolor. Quando faltou técnica, sobrou raça e destemor.

Se o primeiro tempo foi de certa forma frustrante, ainda mais que o time vinha de boa atuação contra o líder Cruzeiro, fora de casa, o segundo tempo foi de arrepiar.

Sobrou emoção para gremistas e corintianos, e também, por que não?, para colorados. Muitos destes últimos, claro, desligaram a TV e o rádio quando em menos de 4 minutos o Grêmio havia feito dois gols. Difícil secar nessas condições.

O fato é que o Grêmio voltou transmutado.

Com certeza contribuiu para isso a discussão de Barcos com Felipe Bastos à saída de campo e, mais ainda, a palavra forte de Felipão.

Sem trocar jogadores, ele alterou o estado de ânimo da equipe. Em menos de um minuto, Barcos fez 1 a 0, após cruzamento de Zé Roberto. Três minutos depois, Barcos voltou a marcar, em outro cruzamento da esquera, agora por Dudu.

Nesses dois lances, Barcos lembrou Jardel pelo posicionamento e pela eficiência na conclusão. E Dudu foi quase um Paulo Nunes, nesse lance e em muitos outros, quando partiu a dribles sobre a defesa e ainda recuou para marcar o adversário. Ah, e que adversário!

O Corinthians tem time e tem grupo para brigar pelo título.

Mas mesmo uma equipe tão forte fica abalada com dois gols assim de saída, com o Grêmio sufocando, abafando, amassando.

Luan ainda chance de ampliar minutos depois, após receber uma bola preciosa de Barcos.

Na sequencia, o que se viu foi o Corinthians se reerguendo e mostrando seu poderio. Foi aí que o time de Felipão incorporou por completo o Grêmio dos anos 90, resistindo e buscando os contra-ataques, o que tornou o jogo emocionante.

Aos 10 minutos, Guerrero, atacante dos mais perigosos, invadiu a área para marcar. Ele não contava com Marcelo Grohe, que evitou o gol, assim como já havia feito em lance parecido no primeiro tempo. Grohe foi uma muralha e, sem dúvida, a vitória passou pelas suas mãos, porque ele ainda faria mais duas ou três defesas espetaculares. Por instantes, vi Danrlei em campo.

Com Grohe transmitindo segurança, a defesa cresceu. Rodolpho, com a tarja de capitão – outra decisão perfeita de Felipão – não vacilou na hora de dar chutões para a frente e para os lados. Werley foi competente.

O gol corintiano foi em cima de Matías Rodriguez, que me parece ainda muito inibido, sem confiança, o que é natural. Merece continuar na equipe. Até porque a opção é Pará… Na esquerda, Zé Roberto foi bem, melhor do que no jogo contra o Cruzeiro, o que pode ser sinal de que vai evoluir mais nesse retorno à sua antiga posição.

No meio, contrariando muita gente, quero destacar o trabalho de Ramiro. O PGV – Pequeno Grande Volante – é aquele volante cri-cri, um pitbull, que não larga nunca a sua presa. Um Guinazu na disputa pela bola. Rápido nos botes e com uma saída de bola correta ele lembrou Dinho, guardadas as proporções. Ele, como todos os demais, errou alguns lances, mas poucos, o que não diminui o brilho de sua atuação. Destaco, ainda, seu duelo verbal e físico com Ralf. O baixinho não se intimidou, encarou firme.

Giuliano está devendo. Foi discreto, mas ajudou muito no combate ao adversário.  É prematuro cobrar muito mais de um jogador que vinha de lesão e que recém começa a readaptar-se ao futebol brasileiro.

Já Felipe Bastos dá ao time um toque de qualidade, uma pitada de inteligência. Um jogador superior. Nem parece que chegou aqui há tão pouco tempo, porque está mostrando tudo aquilo que o torcedor quer ver em termos de dedicação e de luta. Parece até um jogador criado no Olímpico de tão identificado com o clube e sua torcida.

Na frente, Barcos fez o que se esperar de um centroavante, que esteja dentro da área sempre que a bola chegar à linha de fundo. Barcos estava bem colocado nos dois cruzamentos e concluiu com competência. Já é o atacante estrangeiro que mais gols fez pelo Grêmio. O segundo parece que foi Oberti, outro argentino.

Luan é outro que lutou muito, encarou os marmanjos e não se intimidou. Pelo contrário, quanto mais apanha, mais provoca e pede a bola. É ainda um tanto imaturo, mas nada que mais alguns jogos não possam resolver.

Por fim, Dudu. Outra atuação notável. Ele sempre me pareceu peladeiro, mas com Felipão parece mais lúcido para jogar, mantendo os dribles e sua capacidade de doação ao time nos momentos de dificuldade, quando o time é atacado.  É titularíssimo.

Por trás de tudo isso, o estilo Felipão, o artesão habilidoso que está montando um time à imagem e semelhança daquele multicampeão da década de 90.

PÊNALTI

Os corintianos reclamam pênalti no lance em que a bola tocou no braço de Werley. Lance difícil. Muitos dariam pênalti, outros deixariam passar. Foi o que fez Heber, que talvez tomasse outra posição se o lance ocorresse em São Paulo. A bola bateu no braço de Werley, sem dúvida, mas é lance de interpretação.

Outro juiz talvez marcasse. Heber apenas justificou sua fama de juiz caseiro. Em linhas gerais ele foi bem no jogo, que estava soltando faíscas. Expulsou corretamente o Guerrero pela cabeçada ‘carinhosa’ em Alán Ruiz.

Aliás, Ruiz está se revelando um jogador indignado, que cobra do juiz e encara os adversários.

INTER

Ao vencer o Corinthians, o Grêmio deu uma mãozinha para os colorados.

Sábado, o Inter não se ajudou. Foi melhor que o Atlético em Minas Gerais. Poderia ter vencido, ou ao menos empatado. Seria mais justo.

Mais ou menos o que aconteceu com o Grêmio diante do Cruzeiro, também BH.

ISENÇÃO JORNALÍSTICA

Ouvi muita gente nas rádios querendo a demissão de Abel Braga. Coisa de torcedor. De qualquer modo, Celso Roth está aí. Foi demitido do Coritiba.

Aqueles que especulam Tite, deveriam repetir o que fizeram com o Grêmio após a demissão de Enderson.

Sugerir nomes mais viáveis, como Lisca e Roth. Só por uma questão de coerência e isenção jornalística.

É pedir muito?